La La Land

By Renato Almeida - fevereiro 21, 2017



Amor e sonhos são dois assuntos que por mais que tentemos ignorar, fazem parte de nossas vidas, não é mesmo? 

A história de “La La Land, Cantando Estações” tem foco nesses dois temas. E, acredito que uso de assuntos como estes, tão presentes no dia-a-dia de todos nós, foi algo muito bem pensado pelo roteirista e diretor do filme. Afinal, fez com que a história caísse nas graças de todos os românticos e sonhadores mundo afora.

Antes de expor minha opinião sobre La La Land, devo confessar que não sou muito fã de musicais. A maior parte dos filmes que vi, e que seguem esse estilo me passaram uma ideia muito caricata e surreal. Mesmo assim quis assistir esse musical, pois como poderia ignorar uma obra tão bem comentada e concorrendo a tantas categorias ao Oscar? 

A primeira cena já nos traz um musical, o que me desanimou completamente. Não levantei da cadeira e fui embora do cinema, mas vontade não me faltou. 

Mas tudo melhora, quando os personagens principais são apresentados, pois a história de ambos ganham mais evidência, e o musical em si fica um pouco de lado. Mia (Emma Stone) é uma jovem que trabalha em uma das cafeteiras presentes nos estúdios da Warner, sonha em ser atriz e já fez inúmeros testes, mas até o momento não passou em nenhum. Já Sebastian (Ryan Gosling) é um pianista que não parece feliz onde trabalha, e vive recebendo puxões de orelhas do patrão do bar onde trabalha, quando não se segura e começa a tocar o que tanto ama, o jazz.

A forma como Mia e Sebastian se conhecem é bem bonita. Acontece, quando ela volta sem a companhia das amigas de uma festa, e acaba ouvindo o jazz que ele se arrisca a tocar mais uma vez, ao invés de seguir a playlist natalina exigida pelo patrão. 

Dai em diante, vemos uma história regada de amor, jazz e sonhos surgir. Sim, tudo acontece de uma forma rápida entre os dois, mas ao mesmo tempo sutil. Nem me dei conta, mas quando reparei, eles já estavam morando juntos e construindo planos para o futuro.

Não demora muito para as partes envolvendo musical retornarem, mas de modo surpreendente eu comecei a me envolver por tais cenas. São visíveis algumas inspirações e técnicas semelhantes às de grandes musicais de época, como o tão conhecido “Dançando na chuva” (1952).

Enfim, sobre questões técnicas eu serei bem breve, pois não sou muito entendedor desse assunto. A fotografia é muito bonita, com cores fortes e ao mesmo tempo coerentes e que se encaixaram perfeitamente com a história. A trilha sonora é de excelente qualidade e passou a fazer parte do meu music play. Em relação a atuações, a Emma manda muito bem, o que me surpreendeu, pois nunca tinha visto ela tão expressiva e entregue de corpo e alma a uma personagem. O mesmo não posso dizer sobre o Ryan, achei sua atuação um pouco sem emoção. Porém, os dois atores como um casal se saíram muito bem, a química entre eles vai surgindo aos poucos, mas de fato acontece. 

O grande problema mesmo foi o roteiro, que traz um romance com elementos bem clichês, e presentes em qualquer filme romântico e até mesmo aquelas comédias bem ultrapassadas que costumam reprisar na sessão da tarde. Não vejo problema algum em um bom clichê, mas me vi surpreso ao chegar a conclusão, que mesmo não possuindo nada de inovador, La La Land está concorrendo a inúmeras categorias ao Oscar, inclusive a de melhor filme.

Por fim, repito algo que já disse no começo desta resenha, o filme traz temas que fazem parte do cotidiano de todos nós, mas que poderiam ser desenvolvidos de formas diferentes. O final em si, foi um grande tapa sem mão. É impossível não se emocionar com a questão do: “E se...” que surge na expressão dos protagonistas. Mas também é inevitável não pensar, que essa mesma expressão já foi usada inúmeras vezes antes pelo cinema, livros, poesias e demais. 

O filme me ganhou por sua trilha e fotografia. Mas em relação à história me deixou um pouquinho frustrado, pois esperava bem mais. Eu ansiava por algo mais inovador e arriscado. Um elemento que me fizesse levantar e aplaudir até o fim dos créditos; entretanto é um bom filme. 

Uma expressão surge em minha mente, quando penso nesse filme, infelizmente: “não é essa coca cola toda que as pessoas andam dizendo”. 

Ou seja, em minha humilde opinião, La La Land é um bom filme e só. Nada genial, muito menos inovador, porém bom. 

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