A amava e não tinha dúvidas quanto a isso. Já os imaginava velhinhos e sentados em um banco qualquer, de uma praça totalmente descuidada pela prefeitura local. Mas também não conseguia afastar um pensamento; digamos que em certos momentos seu lado racional, o que costumava prevalecer antes de conhecê-la, o manda um alerta ensurdecedor e o faz compreender que por mais que a ame, ela é apenas uma fração dos tantos sonhos, coisas e sentimentos que precisa para se sentir completo.
Desculpa-se, pois certamente isso não soou romântico. Mas passou um bom tempo guardando isso consigo. Sente muito se não teve coragem para contar antes. Não suportava mais ver os olhos dela suplicando por atenção constante, algo que não tinha como retribuir no momento. Por ver os sonhos dela deixando de existir, ao criar novos ao seu lado. Ele não se via desistindo das suas metas e queria ter tido coragem suficiente para ter dito isso antes. De pedir para ela não matar seus sonhos por causa dele, pois eles poderiam ser um casal com sonhos compartilhado, mas também com individuais.
Ele entenderia se ela quisesse ir embora. Mas se sentia aliviado por ter sido sincero. Esperava que eles pudessem ter uma chance, que pudessem mudar aquilo junto, mas do contrário, desejava que ela nunca mais abrisse mão do que tanto desejou por conta de outra pessoa. Afinal, ele queria boa parte do que ela queria, mas desejava que ambos pudessem conquistar o que tanto almejavam antes mesmo de se tornarem “nós”. Ele esperava que ela pudesse entender seu ponto de vista.

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